Esses dias eu li um post que dizia:

“Quanto mais velhos ficamos, mais coisas temos e mais temos com o que nos preocupar”.

Nunca pensei no tamanho da verdade que isso tinha. Quando eu era mais nova, eu achava que ser mais velha significava ter mais controle. Você tem a sua casa, o seu trabalho, o seu carro, o seu horário, o seu tempo. O que eu não imaginava era que isso vinha com um monte mais de responsabilidades. Os seus boletos, os seus seguros, os seus convênios…

O tempo que tínhamos livre para investir em nossos sonhos também era só nosso. Agora ele tem que ser compartilhado. Com o cansaço, o stress, reuniões inúteis, o trânsito…

Parece que quanto mais avançamos na vida, mais andamos em direção à um túnel que vai afunilando, vai te esmagando, te deixando sufocada. Muitas vezes eu me sinto assim. Parece que quanto mais as coisas dão certo, mais esse túnel vai ficando justo, preenchido de medo, medo que as coisas não continuem assim.

E o medo é um amigo estranho, né? É ele quem nos faz ficar quietos quando queremos gritar com o chefe, guardar dinheiro quando dá vontade de torrar tudo em sapato, colocar o despertador 3 vezes para não se atrasar. Revisar duas ou três vezes aquela planilha. Por outro lado, é ele quem nos faz ficar de mãos atadas e não nos deixa sair do lugar. Arriscar novos vôos. Chutar o balde e tudo pra cima mesmo.

Mas quem sabe, é que tudo dando errado que a gente perceba que não é o fim do mundo, que dá pra começar de novo? Que explodir o prédio e começar do zero pode até ser uma boa? E assim conseguiremos caminhar tranquilos, em paz, talvez querendo menos coisas grandes, curtindo mais coisas pequenas; dando valor para cada pedaço que reconquistamos, deixando de reclamar do que tínhamos em nossas mãos?

Enfim, dormiremos tranquilos por saber que nossos valores não são medidos por números e sim por aquilo que nos importamos. Quem sabe chegaremos lá.

escrito por
erica
Erica Hans tem 30 anos e quer que todo mundo seja feliz. Além disso, é sócia/diretora da Social Media St..
28/04/2017

Leia ouvindo Competine d’un autre ete

Não importava com que velocidade os dias passassem, a cabeça dela continuava a girar na máxima.

Dentro do seu pensamento rodavam todo tipo de tema: de obrigações à previsão do tempo, do horóscopo aos meses que pagou na academia e nunca foi, aquele boleto, transtornos políticos do seu país, roupas holográficas.. e tudo mais.

Tudo pesava da mesma forma. Nada tinha mais ou menos importância, ela queria engolir o mundo todo, enquanto o mundo e sua ansiedade engoliam mesmo era ela.

Gostava de cachorros como quem gostava do ar, queria aprender costura, piano, canto e violão; queria cozinhar pâtisserie, queria ler todos os blogs e tirar as melhores fotos do mundo.

E naquele infinito mental de ocupações, calava-se, encostada no sofá, com o dedo no celular, apenas imaginando o que ia fazer. Passava horas rodando feeds e murais, imaginando-se em cada um deles. Ora estava num safári, ora em algum evento social. Pulava da piscina da foto de alguém pra algum resort de outro perfil, de um canto cheio de design de uma sala pastel – pra outro Instagram, onde tudo era amarelo.

Nada fazia. Perdia seu tempo vivendo o mundo alheio enquanto o seu voava pelos seus horizontes mentais, que nunca caminhara. Ela queria tanto, ela queria fazer tanto, mas não saia do seu sofá-mural-feed-aplicativo-lugar.

Um dia – ela pensava – quem sabe,

vai acabar o wifi do mundo

e ela vai se reconectar.

  • Erica Hans
escrito por
erica
Erica Hans tem 30 anos e quer que todo mundo seja feliz. Além disso, é sócia/diretora da Social Media St..
07/03/2017

Olá terráqueos! Se você é como eu, que não consegue largar o celular da hora que acorda até a hora que vai dormir, começa a tremer senão checar as atualizações do Facebook ou dar uma lidinha nos grupos do Whatsapp…você chegou no post certo. E o despertador? Olha 3 vezes se realmente ligou? Puts, tem alguém apitando no Instagram. Vou ver. Peraí, quantas pessoas viram meu stories? Quem é essa pessoa mesmo? Vou dar um pulinho no feed dela…

Crise de ansiedade, transtorno de ansiedade, ataque de pânico… essas palavras estão se tornando cada vez mais comuns no nosso vocabulário.  A verdade é que parece que está todo mundo ficando louco! Tudo isso que eu citei acima contribui para essas doenças cada vez mais comuns na vida moderna.

Você começa a ler um texto, fica desesperado pra terminar, aí abre outras mil janelas, porque precisa ler todos os textos, todos os sublinks? Dá até uma falta de ar? Fica rodando no Netflix e não consegue clicar em nenhum filme porque parece longo demais para terminar, e tem tantos outros,e tantas séries….aaaah! Seu coração acelera, você começa a tremer, suar…se sentir agitadíssimo… quem já sentiu isso sabe que é uma droga não é mesmo?

Então segura essa marimba: dá pra resolver ou pelo menos diminuir com uns truques básicos. E CALMA! Ninguém vai morrer se ficar sem olhar o telefone ou ler um monte de link. Já pensaram que antigamente (nem tantos anos antes assim, pelo menos eu me lembro da vida sem internet!), todo mundo vivia sem essa parafernalha toda? E todo mundo sobreviveu, evoluiu, enfim, chegou até aqui.

O que você precisa fazer para se livrar da ansiedade:

  • APROVEITE O STORIES DO WHATSAPP PRA AVISAR: se for urgente, por favor, telefone.
  • TIRE TODOS OS ALERTAS DO SEU CELULAR, EXCETO O DE LIGAÇÃO (no caso de emergência).
  • ESTABELEÇA LIMITES: SÓ OLHE AS REDES SOCIAIS 3 X POR DIA
  • FAÇA EXERCÍCIOS DE BOA (ninguém precisa se matar na academia, uma volta de bike, uma caminhada de 30 min já resolve)
  • OUÇA MÚSICAS FELIZES NO CAMINHO PARA CASA E TENTE NÃO PENSAR EM OBRIGAÇÕES
  • QUANDO CHEGAR, APROVEITE A ARTE DE NÃO FAZER NADA (quando for a sua hora de relaxar!).

 

Eu tenho siricutico se eu estou deitada no sofá sem fazer nada, sinto uma culpa imensa, começo a ficar agitada, quero ser produtiva, útil, olho o celular, vejo videos, leio matérias, crio listas, tenho ideias, AAAAAAAAH.  Depois não quer que o ser surte!

Enfim. Se livrar do celular faz um bem DANADO e você não faz ideia.

Bora tentar? Depois me conte.

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escrito por
erica
Erica Hans tem 30 anos e quer que todo mundo seja feliz. Além disso, é sócia/diretora da Social Media St..
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02/03/2017

Escrevi esse texto em 2005, mas ele se mostra tão atual.

A little very dirty Nepales boy walks up to me and stand close before me. Just looking and holding his hand up. In total silence...

O menino encostou na mesa do café.
Carros passando a 70km/h ou menos,
O sol saía tímido entre as nuvens e os prédios.
O garçom ofereceu o cardápio, empurrei a frente da mesa, não precisava olhar, aquele era meu local preferido para tomar um café enquanto papeava com amigos.

-“Um suco de melancia por favor.”

Ele disse “Sem açúcar né?”. Perguntei a minha amiga se eu tinha cara de quem não consumia açúcar (talvez por estar trajando roupas de ginástica) ou se foi porque suco de melancia não precisa adoçar mesmo.

-“Sem açúcar e com sementes por favor”.
-“Gelo?”
-“Gelo.”

Gelo.
O menino encostou com sua caixa de engraxate, segurando um maço de cigarros vazio que servia de cofrinho.
Pediu um gole do suco pois dizia estar com sede. Mal terminou a frase pediu dinheiro.
Eu tinha dois reais na carteira e meus cartões.
O instante em que eu poderia ter dado dois reais ao muleque foi o suficiente para eu pensar que dois reais deveria ter sido o que ele pagou no maço de cigarros.

Naquele instante em que que poderia ter aberto a carteira e doado, eu disse:
“E você, tá fumando?”
“Não, não senhora. É apenas aonde eu guardo o dinheiro”.

Foi o tempo do garçom chegar e afastar o menino, que largou aquela caixinha na mesa olhando para mim.

Cheguei em casa à noite e fiquei olhando o meu jantar:

um suco processado light, sabor pêssego, conforme minha mania de ler rótulos, descobri que aquela porcaria só era light porque na verdade era água com “aroma natural idêntico ao de pêssego” (assim dizia a embalagem), e alguma porcentagem de polpa. Aquilo não era suco nem nada.

E o menino estava com sede, e queria dois reais.
E se a caixinha dele não era realmente de cigarros? E se era, como ele me disse, apenas seu cofrinho?

Fiquei com vergonha de mim e culpada por comer meu suco de 32 calorias, quase suco, light, para não engordar, juntamente com meu pão integral de 9 grãos, nove grãos, porque eu tinha a oportunidade de comer comida demais pela frente, e o menino de engraxate, o menino que trabalha de engraxate, e aquele chocolate todo na minha frente, Mc Donald’s, vontade de pizza, rodízio, bebedeiras, baladas, roupas de marca, Ipod, trânsito, gritaria, frescuras, pai eu quero, cartão de crédito, faltando da aula, gastos a toa, vodka e cerveja, brincos de duzentos modelos e cores, e toda a minha futilidade e aquele volume de coisas que eu não preciso foram invadindo a minha mente enquanto eu mastigava a minha fatia com 9 grãos e 42,5 calorias.

Eu não tinha dois reais.
Eu tinha era tudo de sobra.
Hipocrisia de sobra.
Faltando da aula porque de sobra
Com mordomia de sobra.
Porque saí na noite passada de sobra.
Porque dormi de sobra.

Porque…

Eu não tinha dois reais.
E só tinha um coração.
Pequeno, aquele dia, pequeno.

Fiquei com sede.
Com mais sede que o menino.
Fiquei com sede de perceber as coisas que eu piso em cima.
Chamo de preguiça e no fundo é frescura,
Luxo,
Lixo,
Adoçante,
Integral.

Pensei que pago academia porque como demais.
Enquanto o menino carrega a caixa nas costas para ser engraxate.
Ele não tem gordura.

Ele tem sede.
E eu não tinha dois reais.

* Erica Hans

escrito por
erica
Erica Hans tem 30 anos e quer que todo mundo seja feliz. Além disso, é sócia/diretora da Social Media St..
26/10/2016