Uma das maiores ingenuidades do ser humano é tentar entender o amor.

Há dois anos atrás, eu ganhei um cachorro.

Fazia muito tempo que eu morava longe dos meus pais e sempre desejei ter um cachorro, mesmo estando em um apartamento onde não seria o melhor lugar para ele. Desejei, desejei, desejei, até que ele veio.

malte

Ganhei do meu pai o “Baloo”- um maltês que chegou com o pelo comprido, descuidado, manchas no rosto e muito, muito apavorado. Baloo era um cachorro que apanhava do ex-dono e levou vários chutes, mesmo sem merecer.

Eu decidi trocar o nome dele porque queria que ele esquecesse daquele passado triste. O Baloo virou Jullian, porque eu achava que Jullian era um nome bonito.

Quando o Baloo, então Jullian veio, ele não se adaptou no meu apartamento.

Descobri que, apesar de tudo que eu sonhei para a minha vida com o meu novo cachorro – brincadeiras, passeios, gravatinhas bonita e idas ao Pet Shop, tinha ido por água abaixo porque ele não paráva de latir, recebeu diversas reclamações dos vizinhos, odiava passar o dia sozinho no meu apartamento enquanto eu trabalhava e parecia cada vez mais stressado.

Captura de Tela 2014-04-15 às 23.12.46

O Jullian-Baloo, a essas alturas apenas Jullian, voltou então morar no interior, junto com a minha irmã, que o renomeou de Theodore/ “Theo”, já que ela achava que Jullian era um nome frufru demais para o cachorro.

Então o Theo viveu feliz numa casa grande, espaçosa, com jardim e outro cachorro. Deixou de latir e ficar estressado, vivia uma vida tranquila no interior.

Com o tempo, minha irmã veio morar em SP e o Theo veio novamente tentar a vida na capital. Não adiantou. Ele continuou sendo mal criado, latindo, com medo de ficar sozinho, apesar de já estar bastante mimado, com o pelo bem bonito e uma pequena coleção de gravatas.

Captura de Tela 2014-04-15 às 23.12.55

O Theo então voltou pro interior, morar com a minha mãe. Novamente ele vivia numa casa espaçosa, com um jardim e até campinho de futebol para ele correr.

O Theo acordava cedo, ganhava frutas às 9, corria e brincava o dia todo, escovava o pelo às 15h, comia lanchinho da tarde às 17h e dormia as 20h. Não latia durante as refeições, não fazia xixi em lugares errados, dormia que nem um anjo e parecia ter encontrado a sua paz no meio daquele paraíso de amor todo.

Captura de Tela 2014-04-15 às 23.13.11

Aí a minha mãe precisou se mudar.  O casamento dela acabou, ela se mudou e o Theo precisou voltar de novo para São Paulo.

Captura de Tela 2014-04-15 às 23.12.11

Com o tempo, eu e minha irmã mudamos para um apartamento bem maior, onde ele tinha espaço para correr, pular entre os sofás, brincar na rua e ganhar maturidade. Parece que o Theo tinha entendido que ele era membro da família e portanto precisava se comportar para colaborar com a gente. Adaptar-se as circunstâncias e seguir em frente.

O Theo virou o nosso querido maltês. Malte. Tês, Maltese. Teese. Maltezóide. Zóide. Molinho. Molusco. Molúsculo. E todos os apelidos carinhosos que nós demos a ele. O Theo ganhou uma caixa com diversos brinquedos, um canto na cama, outro canto no sofá, e até três mini cabides com roupinhas diversas para chamar de sua. A nossa favorita é uma camisa xadrez.

Captura de Tela 2014-04-15 às 23.12.30

Mas não acabou aí.

Passado um tempo, eu decidi que queria morar sozinha novamente. Minha irmã já estava estabelecida em São Paulo e a distância iria colaborar para nossa amizade, sem que nossa relação se arruinasse com os problemas do cotidiano.

Mais  uma vez o maltês precisou se mudar.

maltes2

Eu e o Maltês então dividimos um novo apartamento, que tem um espaço bem legal pra ele. Por sorte, eu abri a minha empresa e no meu escritório (que é compartilhado) podemos levar animais. O maltês vira e mexe vai trabalhar comigo. Passa o dia correndo entre as baias e ganhando carinho de todos os funcionários de lá.

Captura de Tela 2014-04-15 às 23.13.04

Ele aprendeu a sentar. A ficar quieto para conseguir ganhar petiscos apenas no final da refeição. A fazer xixi no tapetinho e coco em apenas um canto da sala (ufa!).

Aprendeu a observar quando eu estou triste e sem paciência. A pedir pra passear. E também a ser chato e insistente quando quer.

Tem dias que o maltês é insuportável. Eu estou cansada e ele quer brincar. Eu quero ler um livro com minha taça de vinho no colo e ele quer pular. Eu quero dormir e ele quer latir. Eu quero ficar na cama e ele quer me pedir 10x para ir ao banheiro. Eu levo.

Captura de Tela 2014-04-15 às 23.12.05

Outro dia, o maltês veio tão feliz pulando pra cima de mim enquanto eu trabalhava na cama, que acabou derrubando um copo de água no meu computador. Custou 2 mil reais para recuperar o meu computador importantíssimo para o meu trabalho.

Paguei. Recuperei. Passou.

O maltês nunca esteve tão bonito. Ele nunca esteve tão feliz. E nunca teve tanta gente perto dele.

Captura de Tela 2014-04-15 às 23.12.24

O maltês era pra ser meu, porque eu desejei muito tê-lo. E, apesar de todas as circunstâncias, depois de tanto rodar aqui, acolá, finalmente, ele voltou pra mim. Hoje eu e o maltês vivemos juntos, felizes e nos entendemos, apesar de todas as dificuldades.

O que o meu cachorro me ensinou sobre o amor é que o amor é como um cachorro fofinho e peludo que todo mundo quer.

Mas quando ele vem, às vezes ele faz sujeira na sua casa. Come o seu tapete. Estraga algo importante por querer mostrar tanta felicidade.

Captura de Tela 2014-04-15 às 23.11.55

Mas o amor é paciente. É cuidadoso. Leva tempo para acontecer.

O amor faz barulho. Mas também lambe teu rosto. Aconchega-se na sua cama quando você mais precisa de alguém. Chora porque sente sua falta.

E principalmente:

não importa o que você fizer,

quanto tempo você leve para chegar

ou se você está mau humorada e longe de querer se animar:

o amor vai sempre estar com um sorriso no rosto esperando por você.

Captura de Tela 2014-04-15 às 23.12.38

Érica Hans

 

escrito por
erica
Erica Hans tem 30 anos e quer que todo mundo seja feliz. Além disso, é sócia/diretora da Social Media St..
26/10/2014

comentários
diga alguma coisa