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Trabalhar com social media te traz uma lucidez quanto à sociedade:

infelizmente, o que mais interessa para as pessoas em termos de conteúdo é

1) consumo 2) aparência 3) futilidades 4) tragédia .

Talvez realmente nesta ordem.

Não que a TV e as mídias offline já não tivessem identificado isso, mas fica tão nítido nas redes sociais.

Mas como viver num mundo onde a futilidade virou o padrão?

Será que o “fútil”, o “supérfluo” ainda existe ou já que vivemos numa época onde tudo gira em torno de consumo, esse termo cai e perde o sentido?

Numa época guiada pelo “ter”e não pelo “ser”, será que a gente ainda tem a propriedade de dizer que “isto é fútil, isto é útil?”.

Se pararmos para olhar, os vídeos, matérias e sites mais acessados são de conteúdos orientado por: beleza (tutoriais de maquiagem), moda (look do dia), comprinhas e favoritos do mês (produtos, produtos e mais produtos). A seguir, vem mais estética: cremes, hidratantes, serums, clareadores, emagrecedores. Depois, o corpo:  Fit, lookfit, diet, light, sem glúten, proteico.

Num tempo onde o convênio paga para um profissional de saúde (para efetuar um procedimento cirúrgico que envolve bons 12 anos de estudo) , bem menos do que uma “celebridade do instagram” cobra por uma singela foto, como vamos orientar a nossa geração?

Será que é fútil gravar o vídeo de favoritos do mês e ganhar 10 mil por isso ou vale a pena estudar em período integral ininterruptamente e salvar vidas por 400 reais à cirurgia?

Eu ouço o tempo inteiro: os valores estão invertidos.

Será que ainda temos valores?

Não estou desmerecendo o trabalho de inúmeros blogueiros, youtubers, twitteiros, instagrammers ou quem quer que leve as redes sociais como um trabalho (sim, dá trabalho, pra caramba).

O meu ponto é que do outro lado, todas as profissões sofrem uma desvalorização absurda.

Quem rege o mundo é quem vende produto.

Quem vende produto vende futilidade? (Ou a gente precisa mesmo de três tipos de demaquilante?)

Quem compra produto, sustenta esse sistema. (Não é a toa que tem dentista aplicando botox. Todo mundo quer sobreviver.)

Eu não sei o que eu vou falar pros meus filhos.

E vocês?

 

 

 

 

 

 

escrito por
erica
Erica Hans tem 30 anos e quer que todo mundo seja feliz. Além disso, é sócia/diretora da Social Media St..
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05/06/2015

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