Leia ouvindo Competine d’un autre ete

Não importava com que velocidade os dias passassem, a cabeça dela continuava a girar na máxima.

Dentro do seu pensamento rodavam todo tipo de tema: de obrigações à previsão do tempo, do horóscopo aos meses que pagou na academia e nunca foi, aquele boleto, transtornos políticos do seu país, roupas holográficas.. e tudo mais.

Tudo pesava da mesma forma. Nada tinha mais ou menos importância, ela queria engolir o mundo todo, enquanto o mundo e sua ansiedade engoliam mesmo era ela.

Gostava de cachorros como quem gostava do ar, queria aprender costura, piano, canto e violão; queria cozinhar pâtisserie, queria ler todos os blogs e tirar as melhores fotos do mundo.

E naquele infinito mental de ocupações, calava-se, encostada no sofá, com o dedo no celular, apenas imaginando o que ia fazer. Passava horas rodando feeds e murais, imaginando-se em cada um deles. Ora estava num safári, ora em algum evento social. Pulava da piscina da foto de alguém pra algum resort de outro perfil, de um canto cheio de design de uma sala pastel – pra outro Instagram, onde tudo era amarelo.

Nada fazia. Perdia seu tempo vivendo o mundo alheio enquanto o seu voava pelos seus horizontes mentais, que nunca caminhara. Ela queria tanto, ela queria fazer tanto, mas não saia do seu sofá-mural-feed-aplicativo-lugar.

Um dia – ela pensava – quem sabe,

vai acabar o wifi do mundo

e ela vai se reconectar.

  • Erica Hans
escrito por
erica
Erica Hans tem 30 anos e quer que todo mundo seja feliz. Além disso, é sócia/diretora da Social Media St..
07/03/2017

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