A partir de hoje vocês vão acompanhar aqui no blog a história do L.P., um “garoto” de 32 anos que está de volta à pista em busca de um novo amor. Toda semana, vou publicar um capítulo-depoimento escrito pelo L.P. , contando suas peripécias nessa nova jornada.

Como isso começou?

Em um desses cafés da vida, por conta de amigos em comuns, conheci o L.P. Neste dia, ele estava desanimado pois havia terminado um longo relacionamento e não sabia por onde recomeçar. Após alguma conversa, uma dica aqui, outra acolá, resolvi convidar o L.P. a compartilhar a sua história aqui no blog, já que a história dele, também é a história de todo mundo.

Convite aceito, o L.P. se comprometeu a me mandar seus mini-diários para que eu publicasse aqui, e em contrapartida, eu daria dicas do ele poderia fazer. Essa história é 100% real e acontecerá como um “reality post”, ou seja, em tempo real aqui no blog. O personagem fica secreto para não prejudicar a vida pessoal dele.

O primeiro capítulo e mais um pouco do L.P. vocês conhecem agora.

Enjoy!

ep1

“Hoje, 09 de novembro, vejo completar três semanas do final de um namoro que, aos meus olhos e aos olhos de todos, parecia ser acertado e, talvez como todo relacionamento é para quem está dentro, infinito, pra sempre. Mas não foi. Numa manhã de domingo do mês passado tudo acabou. Talvez não tenha acabado de forma traumática, como muitos, acabou com silêncios, com lágrimas, com abraços e com despedida. Foi um final bonito, confesso, poético, sem acusações e com a compreensão como palavra chave.

LPfaces

Como morávamos distantes, por motivos de trabalho, terminou em um aeroporto, numa sala de embarque, e isso, apesar de parecer cinematográfico, marcou uma fase complicada, a da solidão. Como não tenho família em São Paulo, em poucos amigos, tive que encarar a maior cidade do país com uma sensação de estar entre tantos e, ao mesmo tempo, com ninguém. As duas semanas seguintes foram de reclusão. Fiquei em casa, repensei a vida, os hábitos e as rotinas. Estava em um namoro de cinco anos (que começou logo após do final de um de nove anos de duração) e não sabia mais como não ter alguém, mesmo que distante, para questões básicas como dar bom dia, ou boa noite, ou mesmo para compartilhar conquistas e problemas.

LP1

Durante esses dias de refúgio, alguns amigos mostraram ser realmente amigos. Recebi emails, telefonemas e convites para almoçar, jantar, tomar café, ir ao cinema, etc. Recusei vários, aceitei alguns, mas não pude ser a companhia que gostaria de ser.

Era melhor ficar em casa mesmo.

Por horas – as de calma – eu lia e escrevia. Por outras – as de recaída – cheguei a fazer emails para minha ex, mas consegui passar esses 14 dias com apenas o envio de uma mensagem de celular. E foi tal mensagem que, talvez, apesar das conversas que tive e conselhos que recebi, me deu ânimo para seguir finalmente em frente. A resposta foi fria e precisa. Não cabe a mim relatar aqui o conteúdo de tal resposta, mas garanto ter sido o ponto, a têmpera certa, para eu reerguer a cabeça e seguir a vida.

LPgif

Resolvi tentar sair da toca: fui ao cinema, ao teatro, a livraria, ao café e até a uma baladinha. Sempre sozinho. Tomei apenas um café com uma amiga durante toda a semana. E foi só. No mais, fiquei sozinho mesmo. Mas não em casa, ei o avanço.

Li, escrevi, tirei fotos, ouvi música, retomei os ensaios do teatro, voltei – não só de corpo presente – ao trabalho, me inscrevi em um curso e resolvi recomeçar a minha vida sentimental novamente. Não renegando o passado, pelo contrário, mas tentando aprender com os “erros” e acertar mais daqui a frente.

LP_livros

Um amigo me recomendou baixar o Tinder, um aplicativo de encontros. Eu já tive o app em meu celular uma vez, mas deletei logo em seguida. Dessa vez, fiz um “perfil” mais elaborado e saí a procura de alguém pra conversar. O mundo virtual é algo incrível para vencer a timidez, mas eu acredito muito nas limitações do espaço digital, de suas futilidades e, portanto, sempre penso limitar a conversa e dizer “que tal um café?”. Mas não sei se o tal do aplicativo era o que eu procurava e, depois de usar o dia todo, abandonei ele lá na tela do celular.

Pensei “preciso conhecer pessoas”. Há uma diferença brutal entre “preciso conhecer pessoas” e “preciso ficar com pessoas”, pois, pelo menor pra mim, conhecer habita o campo do conhecer mesmo, conversar, falar da vida. Meus relacionamentos sempre começaram com amizades, e por isso tentei seguir por esse caminho. Procurei em meu círculo de conhecidos mais próximos, reais e virtuais, pessoas com quem eu pudesse conversar um pouco, pessoalmente, em um lugar agradável e calmo, para desenvolver novas amizades. De uma delas, penso, pode surgir algo. Por vezes, durante o dia, avaliei a possibilidade do inusitado, dos amores de rua, de metrô, de resbalão na fila, do tipo “sem querer”, da amiga do amigo, etc.

O saldo do dia foram três convites de café: um recusado, um aceito, pra esta terça e outro aceito, mas sem data certa.”

***************************************************************************************************

Agora, vamos aos meus comments lindos por dentro ;D:

– Achei bastante digno a menina terminar pessoalmente com ele, mas poxa, quando você for fazer isso com alguém, dê um teaser. Imagina a expectativa que é encontrar alguém pra tomar um bolo desses? Uma vez uma amiga me disse que ia marcar um bar para enontrar com o menino que ela estava saindo e terminar com ele. Minha dica é: não faça ninguém gastar roupa/tempo/dinheiro pra tomar um fora. É super importante falar pessoalmente, mas já antecipe o tom da conversa.

– L.P, você não é o primeiro nem o último a se sentir sozinho no meio da multidão. Cidades grandes tem o poder de potencializar esse sentimento. Achei muito legal que você respeito o seu momento fossa. É preciso ouvir música triste, chorar, repassar mentalmente mas que não dure mais que 1 semana. Que bom que você tem amigos! E o melhor: que bom que você contou para os amigos. Nessas horas, ninguém tem que fazer o fortão e sim pedir ajuda.

– Mandar mensagem pro ex é sempre complicado. Por um lado, alivia pra caramba, porque você não fica remoendo o que queria ou não queria ter falado. Mas, na maioria dos casos, acaba sendo apenas um desabafo mesmo. A gente tem mania de achar que vai falar alguma coisa que vai mudar tudo. Mas no fim, nenhuma linha tem esse poder, ainda mais no caso de uma relação de 5 anos que provavelmente foi desgastada pela distância e pelo tempo. Pelo que você contou, a resposta fria caiu super bem – foi o passo que precisava para você seguir em frente. Fica a dica para quando você tiver do outro lado da situação: ser sincero é o melhor negócio sempre. Parece que vai magoar, mas ajuda a pessoa a seguir com a vida dela e não alimentar as esperanças.

– Retomar a vida é muito bom. Você fez certinho! Inscrever-se em cursos e fazer coisas que você gosta são ótimos não só para distrair a cabeça, mas também restaura quem somos e que acabamos nos perdendo no meio de uma relação, principalmente as longas. Já perdi as contas de quantas vezes vi casais que absorvem a vida um do outro e esquecem quem são, do que gostam.

– Por fim, no meio do seu texto, encontrei um monte frases legais que você mesmo escreveu. Olha só:

– Todo relacionamento é para quem está dentro, infinito, pra sempre.

– Foi um final bonito, confesso, poético, sem acusações e com a compreensão como palavra chave.

– Não renegando o passado, pelo contrário, mas tentando aprender com os “erros” e acertar mais daqui a frente.

– Há uma diferença brutal entre “preciso conhecer pessoas” e “preciso ficar com pessoas”

– Avaliei a possibilidade do inusitado, dos amores de rua, de metrô, de resbalão na fila, do tipo “sem querer”, da amiga do amigo, etc.

L.P., estamos todos com você!

cap2

* E vocês, tem algum conselho pro L.P.? Deixem nos comentários!

escrito por
erica
Erica Hans tem 30 anos e quer que todo mundo seja feliz. Além disso, é sócia/diretora da Social Media St..
Veja Mais Posts sobre
16/11/2014